OKR ou KPI? Veja como escolher a metodologia de metas certa para o seu negócio

Dalmi Fernandes Defanti Junior

O OKR e o KPI são dois dos modelos de definição de metas mais discutidos na gestão empresarial atual, mas raramente são compreendidos em suas diferenças reais. Dalmi Fernandes Defanti Junior, fundador da Gráfica Print, retrata que a escolha entre os dois modelos não deve ser tratada como uma questão de preferência, e sim como uma decisão estratégica ligada à fase e à cultura da empresa.

Afinal, cada metodologia responde a uma pergunta diferente: uma mede o que já foi feito, a outra aponta para onde a organização quer chegar. Tendo isso em vista, entender o que sustenta cada modelo evita decisões apressadas na hora de estruturar metas. Nos próximos parágrafos, abordaremos as diferenças práticas entre o OKR e o KPI e em que momentos cada abordagem gera mais resultado para o negócio.

O que diferencia o OKR do KPI?

Na prática, o KPI significa “indicador-chave de desempenho” e serve para acompanhar resultados de processos já em andamento. Já o OKR, sigla para “objetivos e resultados-chave”, funciona como uma estrutura de ambição: define para onde a empresa quer ir e quais resultados comprovariam que o caminho está sendo seguido.

A confusão entre os dois nasce porque ambos usam números para orientar decisões. De acordo com Dalmi Fernandes Defanti Junior, a diferença está na função: o KPI monitora, o OKR direciona. Portanto, uma empresa pode ter dezenas de KPIs sem nenhum OKR, e vice-versa, o que já indica que não se trata de escolher um substituto do outro, e sim de identificar a função que falta.

KPI: O indicador que mostra o que já aconteceu

O KPI é mais eficiente quando a operação já está estruturada e o objetivo é manter consistência. Dalmi Fernandes Defanti Junior explana que a taxa de conversão, o tempo médio de atendimento e o índice de retrabalho são exemplos de indicadores que revelam se um processo está funcionando dentro do esperado, sem depender de metas ambiciosas para fazer sentido.

Nesse sentido, o erro mais comum está em tratar o KPI como uma meta em si, quando, na verdade, ele deveria funcionar como um termômetro. Até porque um indicador que sobe ou desce não diz, sozinho, se a empresa está no caminho certo, apenas descreve o comportamento de uma variável isolada.

OKR: As metas que direcionam o que ainda vai acontecer

O OKR se aplica melhor em contextos de mudança, quando a empresa precisa alinhar times em torno de um objetivo ainda não alcançado. Conforme comenta o fundador da Gráfica Print, Dalmi Fernandes Defanti Junior, ele obriga a organização a declarar aonde quer chegar em um trimestre, semestre ou ano, e a converter essa ambição em resultados-chave mensuráveis, não apenas em intenções genéricas.

Dalmi Fernandes Defanti Junior
Dalmi Fernandes Defanti Junior

Assim sendo, o OKR funciona porque cria tensão saudável entre o time e a meta, algo que o KPI isolado não provoca. Enquanto o indicador descreve, o objetivo convoca, e essa diferença de postura explica por que empresas em expansão tendem a adotar OKRs com mais frequência.

Quando escolher OKR, KPI ou os dois juntos?

Também vale observar que a combinação dos dois modelos não gera conflito quando cada um mantém seu papel bem definido dentro da rotina de gestão. O risco surge apenas quando a empresa tenta substituir o acompanhamento constante dos KPIs pela ambição trimestral dos OKRs, ou vice-versa. Desse modo, na maioria dos negócios, a resposta não está em escolher apenas uma metodologia, mas em entender qual delas resolve o problema do momento. Com isso em mente, os seguintes critérios ajudam nessa decisão:

  • Estágio da empresa: negócios em fase de estruturação tendem a se beneficiar mais de KPIs, enquanto empresas em expansão ou mudança de rota ganham mais com OKRs;
  • Tipo de meta: metas operacionais e recorrentes pedem indicadores; metas de transformação pedem objetivos ambiciosos com resultados-chave;
  • Maturidade de gestão: equipes acostumadas a acompanhar números soltos costumam precisar de um período de adaptação antes de assumir OKRs completos;
  • Frequência de revisão: KPIs costumam ser monitorados continuamente, enquanto OKRs são revisados em ciclos mais longos, como trimestres.

Isto posto, a maior parte das empresas maduras não escolhe entre os dois modelos, mas os combina: usa KPIs para monitorar a operação diária e OKRs para conduzir mudanças estruturais em um horizonte mais longo.

A escolha certa depende da maturidade da gestão

Em conclusão, adotar o OKR ou o KPI sem entender o problema que cada modelo resolve costuma gerar frustração, porque a empresa passa a cobrar de um indicador aquilo que só uma meta ambiciosa entrega, ou o contrário. Como enfatiza Dalmi Fernandes Defanti Junior, a pergunta certa não é qual metodologia é mais moderna, mas qual delas resolve a lacuna que a gestão enfrenta hoje.

Assim sendo, a maturidade de uma gestão se mede pela capacidade de combinar as duas ferramentas sem forçar uma sobre a outra. No final, empresas que entendem essa diferença conseguem medir o presente com os KPIs e construir o futuro com os OKRs, sem perder consistência em nenhuma das duas frentes.

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