Rio Pipeline e a apresentação de uma tecnologia brasileira que mudou o método construtivo de dutos

Binal Showts
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Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca como a Rio Pipeline apresentou tecnologia brasileira que revolucionou a construção de dutos.

Paulo Roberto Gomes Fernandes observa, a partir de sua trajetória no setor, que momentos específicos conseguem transformar inovação técnica em referência concreta de mercado, e a edição de 2011 da Rio Pipeline Conference & Exposition se enquadra exatamente nesse perfil. Naquele ano, a feira funcionou como vitrine para a apresentação pública dos roletes motrizes Geração II, tecnologia responsável por viabilizar o lançamento do Gasoduto Gastau em um túnel de 5,1 quilômetros sob a Serra do Mar, em São Paulo, sem a utilização de uma única solda.

O equipamento, patenteado em mais de 50 países, representava uma ruptura clara com os métodos construtivos tradicionais de dutos em ambientes confinados. A exposição dos roletes durante a Rio Pipeline, realizada entre 20 e 22 de setembro no Centro de Convenções SulAmérica, posicionava o Brasil no centro de uma discussão técnica global sobre segurança operacional, redução de prazos, salubridade do trabalho e eficiência sistêmica em grandes obras dutoviárias.

O Gasoduto Gastau e o contexto do pré-sal

O Gasoduto Gastau integra um projeto estratégico de infraestrutura energética no Brasil. Com 96 quilômetros de extensão e 20 polegadas de diâmetro, o duto foi concebido para transportar diariamente até 20 milhões de metros cúbicos de gás, conectando o Campo de Mexilhão à Refinaria Henrique Lage, em Taubaté, e viabilizando a distribuição do primeiro gás do pré-sal brasileiro. 

Na leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o principal desafio não residia apenas na extensão do duto, mas nas condições geológicas e ambientais impostas pela Serra do Mar. A utilização dos roletes motrizes Geração II permitiu enfrentar esse obstáculo ao possibilitar o lançamento contínuo da tubulação dentro do túnel, com controle rigoroso de esforços mecânicos, redução de riscos operacionais e ganhos expressivos de prazo quando comparados aos métodos convencionais.

Inovação aplicada e reconhecimento técnico internacional

A tecnologia apresentada pela Liderroll não se restringia ao projeto do Gastau. Os roletes motrizes Geração II passaram a simbolizar uma nova abordagem para obras em ambientes confinados, sendo reconhecidos internacionalmente e inscritos no Prêmio de Inovação da American Society of Mechanical Engineers. 

Rio Pipeline: Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa a inovação nacional que transformou métodos construtivos no setor de dutos.
Rio Pipeline: Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa a inovação nacional que transformou métodos construtivos no setor de dutos.

Paulo Roberto Gomes Fernandes esclarece que o diferencial da tecnologia estava justamente na convergência entre engenharia de precisão e aplicação efetiva em campo. Ao eliminar a necessidade de soldas dentro do túnel e reduzir a exposição de equipes a ambientes insalubres, o método contribuiu para elevar padrões de segurança e qualidade, fatores cada vez mais determinantes em projetos de grande escala no setor de óleo e gás.

A Rio Pipeline como vitrine tecnológica

A participação da Liderroll na Rio Pipeline 2011 ocorreu em um contexto de forte aposta institucional no evento. Como Patrocinadora Diamante, a empresa ampliou significativamente seu estande, que passou a ter mais de 100 metros quadrados, reforçando o caráter demonstrativo da feira. Além dos roletes motrizes Geração II, foram apresentados outros equipamentos já utilizados em operações reais, como roletes de giro livre empregados em terminais da Petrobras, roletes especiais para stingers instalados na Balsa BGL I e roletes bidirecionais usados nas ligações dos terminais aquaviários da Baía da Guanabara.

Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que a feira cumpria um papel essencial ao permitir que engenheiros, operadores e gestores tivessem contato direto com soluções já testadas em campo, e não apenas com proposições conceituais. Esse tipo de exposição técnica contribui para acelerar a adoção de novas metodologias e aprofundar o debate sobre eficiência e segurança no setor dutoviário.

Um marco para a engenharia brasileira

Vista a partir de 2026, a apresentação dos roletes motrizes Geração II na Rio Pipeline 2011 pode ser interpretada como um ponto de inflexão na forma como projetos de dutos em ambientes confinados passaram a ser concebidos. A tecnologia brasileira abriu caminho para novos padrões construtivos e consolidou a capacidade do país de gerar inovação com impacto internacional.

Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, o episódio reforça uma constatação recorrente: quando a engenharia brasileira encontra espaço para aplicar conhecimento, investir em desenvolvimento e se posicionar nos fóruns adequados, ela não apenas acompanha o cenário global, mas contribui ativamente para redefini-lo.

Autor: Binal Showts

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