Compreenda, com Taiza Tosatt Eleoterio, a diferença entre maturidade emocional e supressão de sentimentos

Gabriel Montesa
Por Gabriel Montesa
Taiza Tosatt Eleoterio

Conforme argumenta a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, confundir maturidade emocional com supressão de sentimentos é um equívoco comum, sobretudo entre pessoas que aprenderam a associar controle emocional excessivo a força de caráter. Embora pareçam semelhantes, os dois comportamentos têm origens e consequências bastante diferentes: a maturidade reconhece e atravessa o que se sente, enquanto a supressão apenas esconde. De fora, ambos podem parecer calmos e equilibrados, e é por isso que a diferença passa despercebida. Saber distingui-los permite lidar com as emoções de forma mais honesta e evitar que elas se acumulem silenciosamente.

O que caracteriza a maturidade emocional?

A maturidade emocional, segundo a psicanálise, envolve a capacidade de reconhecer, nomear e processar as próprias emoções, mesmo as mais difíceis, sem que isso implique necessariamente agir de forma impulsiva diante delas. Uma pessoa emocionalmente madura não deixa de sentir tristeza, raiva ou frustração, mas desenvolve recursos internos para lidar com essas emoções de forma consciente e equilibrada.

Conforme explica Taiza Tosatt Eleoterio, esse tipo de maturidade se constrói ao longo do tempo, por meio de experiências de vida processadas e elaboradas, e não através da simples ausência de reações emocionais diante de situações difíceis.

O que caracteriza a supressão de sentimentos?

Em contraste, a supressão de sentimentos envolve a tentativa de evitar ou esconder emoções, como se elas não devessem existir ou ser sentidas. Diferente da elaboração emocional, a supressão não processa o sentimento, apenas o empurra para um espaço interno onde ele permanece, mesmo que de forma silenciosa, continuando a influenciar comportamentos, humor e até a saúde física da pessoa com o tempo.

Taiza Tosatt Eleoterio pontua que, por fora, a supressão pode até parecer controle emocional, já que a pessoa aparenta estar “bem” diante de situações difíceis, mas internamente esse sentimento não processado tende a se acumular, podendo se manifestar posteriormente de formas mais intensas ou inesperadas.

Por que essa confusão é tão comum?

Em muitos contextos familiares e sociais, especialmente aqueles marcados por ambientes de tensão constante, crianças aprendem desde muito jovens que expressar certas emoções, como tristeza ou medo, pode gerar punição, desaprovação ou mais conflito. Diante disso, a supressão se torna uma estratégia de sobrevivência emocional, que, com o tempo, pode ser erroneamente interpretada como força de caráter ou maturidade.

Como destaca Taiza Tosatt Eleoterio, essa confusão costuma ser reforçada culturalmente, já que expressões como “ser forte” ou “não deixar os sentimentos tomarem conta” muitas vezes incentivam, sem intenção, a supressão em vez da elaboração emocional saudável das experiências vividas.

Os riscos de suprimir sentimentos por longos períodos

A supressão prolongada de sentimentos tende a ter um custo significativo para a saúde emocional e até física da pessoa. Sentimentos não processados podem se manifestar por meio de ansiedade generalizada, irritabilidade sem motivo aparente, dificuldades de concentração ou mesmo sintomas físicos sem causa médica identificável.

Taiza Tosatt Eleoterio avalia que, além desses sintomas, a supressão constante também dificulta a capacidade de construir relações afetivas genuínas, já que a intimidade emocional depende, em grande parte, da disposição de compartilhar vulnerabilidades reais com outra pessoa.

Como diferenciar os dois padrões no dia a dia?

Alguns sinais ajudam a perceber a diferença. A maturidade emocional permite falar sobre o que se sente, mesmo que de forma contida, enquanto a supressão evita completamente o assunto. Além disso, a maturidade busca compreender a origem da emoção, ao passo que a supressão tenta apenas afastá-la o mais rápido possível.

Outro ponto está na relação com a vulnerabilidade. Quem tem maturidade emocional consegue admitir fragilidade diante de pessoas de confiança, e quem suprime evita qualquer exposição, mesmo em relações próximas. Na prática, a diferença está menos na aparência de calma e mais no que acontece por dentro depois que a emoção surge.

O papel da infância na formação desses padrões

Boa parte dos padrões de supressão emocional observados na vida adulta tem origem em experiências vividas ainda na infância, especialmente em ambientes onde expressar sentimentos foi, em algum momento, associado a consequências negativas. Uma criança que chora e é repreendida por isso, por exemplo, pode aprender precocemente que esconder a tristeza é mais seguro do que expressá-la.

Esse aprendizado, embora tenha funcionado como proteção emocional na infância, tende a se tornar um obstáculo na vida adulta, já que relações saudáveis dependem, em grande medida, da capacidade de compartilhar emoções de forma autêntica com outras pessoas.

Reconhecendo o próprio padrão sem autocrítica excessiva

Identificar que se desenvolveu um padrão de supressão emocional, em vez de maturidade genuína, não deve ser motivo de vergonha ou autocrítica. Esse padrão, na maioria das vezes, foi construído como resposta a um ambiente que não oferecia espaço seguro para expressão emocional, e não como uma escolha consciente da pessoa que o desenvolveu.

Tratar esse reconhecimento com a mesma compreensão que se ofereceria a outra pessoa na mesma situação costuma facilitar bastante o processo de transformação desse padrão ao longo do tempo.

Caminhos para transformar supressão em elaboração emocional

Taiza Tosatt Eleoterio conclui que transformar um padrão de supressão em verdadeira elaboração emocional costuma exigir tempo, paciência e, frequentemente, apoio psicológico especializado, já que se trata de desconstruir um mecanismo de defesa construído, muitas vezes, desde a infância. Esse processo, embora gradual, tende a abrir caminho para uma relação mais honesta e saudável com as próprias emoções, permitindo que sejam sentidas, compreendidas e, finalmente, elaboradas de forma genuína.

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