Empresas em dificuldade financeira às vezes recebem abordagens de fundos de recuperação de crédito interessados em comprar dívida com desconto, e podem confundir esse tipo de interesse com o mesmo tipo de apoio que uma consultoria de reestruturação ofereceria, quando os objetivos das duas partes são fundamentalmente diferentes.
Conforme a Fource Consultoria Empresarial, consultoria especializada em inteligência de mercado, reestruturação empresarial e gestão de ativos, entender essa diferença evita que a empresa trate um comprador de dívida como se fosse um parceiro neutro interessado no seu sucesso de longo prazo.
Veja a seguir o que diferencia cada uma dessas atuações.
O que um fundo de recuperação de crédito faz?
Um fundo de recuperação de crédito compra dívidas de empresas em dificuldade, geralmente com desconto significativo sobre o valor original, apostando em conseguir recuperar mais do que pagou por meio de negociação direta com o devedor ou de processo judicial de cobrança.
A Fource ressalta que o interesse principal desse tipo de fundo é maximizar o retorno sobre o crédito adquirido, não necessariamente a recuperação saudável da empresa devedora no longo prazo. Isso não significa má-fé, apenas um alinhamento de incentivos diferente do que a empresa em dificuldade normalmente precisa nesse momento.
Esse modelo de negócio também explica por que fundos de recuperação de crédito costumam ter apetite maior para negociar acordos rápidos com desconto relevante, já que o retorno deles vem justamente da diferença entre o preço pago pela dívida e o valor efetivamente recuperado depois.
Compreender essa lógica de negócio ajuda a empresa a antecipar o comportamento do fundo durante a negociação. Um fundo que pagou pouco pela dívida original tem mais flexibilidade para aceitar um acordo com deságio maior do que um credor original que ainda espera recuperar valor próximo ao total emprestado.
O que uma consultoria de reestruturação faz?
Consultoria de reestruturação trabalha diretamente para a empresa em dificuldade, com o objetivo de estruturar um plano de recuperação que preserve valor e viabilize a continuidade do negócio, negociando com múltiplos credores, incluindo eventuais fundos de recuperação envolvidos na situação.

Na perspectiva da Fource Consultoria, essa atuação exige alinhamento com os interesses da empresa contratante, buscando o melhor resultado possível para ela dentro do processo de negociação, ainda que isso signifique confrontar interesses de credores, incluindo fundos que já tenham adquirido parte da dívida original.
Onde os interesses dos dois podem divergir?
Um fundo de recuperação de crédito pode ter interesse em forçar decisão judicial mais rápida, se isso maximizar seu retorno esperado, enquanto a consultoria de reestruturação, trabalhando pela empresa, busca condições que preservem operação e caixa suficientes para sustentar a recuperação no médio prazo.
Segundo a Fource Consultoria, reconhecer essa divergência de interesses é fundamental para a empresa não tratar comunicação de um fundo de recuperação de crédito com a mesma confiança que trataria orientação de uma consultoria contratada especificamente para representar seus próprios interesses no processo. Essa clareza faz parte de uma gestão de riscos adequada em qualquer negociação com múltiplas partes interessadas.
Isso não significa que negociação com fundos de recuperação de crédito seja necessariamente hostil. Muitas vezes existe espaço real de acordo mutuamente benéfico, mas a empresa precisa entender que está numa negociação entre partes com interesses distintos, não recebendo aconselhamento imparcial voltado à sua própria recuperação.
Como as duas atuações podem coexistir no mesmo processo?
Em processos de reestruturação com dívida adquirida por fundos de recuperação, a consultoria contratada pela empresa costuma negociar diretamente com esses fundos como mais um credor dentro do plano geral de recuperação, buscando condições compatíveis com a capacidade de pagamento real da empresa.
Do ponto de vista da Fource Consultoria Empresarial, essa negociação costuma ser mais eficaz quando a empresa entende claramente o incentivo do fundo comprador, permitindo estruturar propostas que façam sentido econômico para ambas as partes, mesmo com objetivos de fundo distintos entre quem busca recuperação de valor no crédito adquirido e quem busca recuperação de valor na própria operação.
Essa clareza também evita erros de negociação comuns, como oferecer condições piores do que o fundo estaria disposto a aceitar, por desconhecimento do incentivo real por trás da compra da dívida, ou insistir em prazos que não fazem sentido dentro da lógica de retorno que motiva esse tipo específico de investidor.