Leasing de equipamentos médicos de alto custo ganha alternativa de financiamento com FIDCs, diz Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM

Gabriel Montesa
Por Gabriel Montesa
ID CTVM

Hospitais e clínicas de diagnóstico por imagem recorrem a contratos de locação de longo prazo para acessar equipamentos de ressonância magnética, tomografia e outros aparelhos de alto valor unitário, recebíveis que passam a lastrear operações de crédito estruturado

Equipamentos médicos de diagnóstico por imagem, como aparelhos de ressonância magnética e tomografia computadorizada, representam um dos investimentos de maior valor unitário na rotina de hospitais e clínicas especializadas, com preços que podem superar em muito o orçamento anual de capital de instituições de médio porte. Diante desse custo elevado, cresceu nos últimos anos o número de instituições de saúde que optam por contratos de locação de longo prazo desses equipamentos, em vez de adquiri-los diretamente, modelo que transfere a um parceiro especializado a responsabilidade pela manutenção e pela atualização tecnológica do parque de máquinas.

Empresas especializadas na locação desse tipo de equipamento firmam contratos de longo prazo com hospitais e clínicas, gerando um fluxo de receita recorrente que, assim como ocorre em outros segmentos de locação de ativos, passou a ser utilizado como lastro para operações de crédito estruturado, permitindo à locadora antecipar parte da receita futura para financiar a aquisição de novos equipamentos.

Obsolescência tecnológica exige acompanhamento específico do ativo

Diferentemente de um veículo ou de uma máquina industrial de uso mais genérico, um equipamento médico de diagnóstico por imagem está sujeito a um ritmo acelerado de evolução tecnológica, o que pode reduzir seu valor de mercado e sua atratividade para hospitais mais rapidamente do que ocorre em outras categorias de ativos utilizados como garantia complementar em operações de crédito estruturado. Administradores fiduciários que estruturam fundos lastreados nesse tipo de contrato acompanham, além do fluxo financeiro do contrato de locação, indicadores relacionados à geração do equipamento instalado e ao ciclo de renovação tecnológica praticado por cada locadora.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa atenção à evolução tecnológica do parque de equipamentos é o que diferencia a estruturação desse tipo de operação de fundos lastreados em ativos de depreciação mais previsível.

“Um equipamento de diagnóstico por imagem pode se tornar tecnologicamente superado antes mesmo de terminar sua vida útil física, o que exige um olhar diferente sobre o valor residual desse ativo ao longo do contrato de locação. Um administrador fiduciário que atua nesse segmento precisa entender o ritmo de renovação tecnológica de cada categoria de equipamento, para que as premissas da operação reflitam essa realidade”, explica o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em contratos de locação de equipamentos médicos de alto valor unitário, aplicando a esses ativos os mesmos processos de auditoria de lastro e conciliação utilizados em fundos de outros setores sob sua administração.

Concentração entre poucos hospitais eleva peso da análise individual

Assim como ocorre em outras estruturas lastreadas em contratos de locação de ativos de alto valor, uma carteira voltada a equipamentos médicos costuma concentrar recebíveis entre um número relativamente reduzido de hospitais e clínicas locatárias, cada uma responsável por parcelas mensais de valor elevado. Essa concentração exige que administradores fiduciários avaliem a saúde financeira de cada instituição locatária com o mesmo rigor aplicado a operações de crédito corporativo tradicional, complementando a análise sobre a própria locadora responsável pela gestão do parque de equipamentos.

Contratos que preveem cláusulas de atualização tecnológica programada, nas quais a locadora se compromete a substituir o equipamento por uma versão mais moderna após determinado período, tendem a ser mais valorizados por hospitais de maior porte, ainda que exijam da locadora um planejamento financeiro mais rigoroso para sustentar o ciclo de renovação do parque de máquinas ao longo de toda a vigência da carteira de contratos.

Manutenção preventiva impacta a disponibilidade do equipamento

Além do risco de obsolescência tecnológica, a estruturação de um fundo lastreado em contratos de locação de equipamentos médicos precisa considerar o risco de indisponibilidade do ativo por necessidade de manutenção corretiva ou preventiva, uma vez que boa parte dos contratos desse tipo prevê cláusulas de desconto ou suspensão de pagamento durante períodos em que o equipamento permanece fora de operação. Locadoras com histórico consistente de baixo tempo de indisponibilidade tendem a apresentar um fluxo de recebíveis mais previsível do que operações sujeitas a interrupções frequentes por falhas técnicas.

Essa característica reforça a importância de administradores fiduciários acompanharem não apenas indicadores financeiros tradicionais, mas também métricas operacionais específicas de cada locadora, como o tempo médio de resposta a chamados técnicos e o percentual de disponibilidade efetiva do parque de equipamentos ao longo do ano.

Perspectivas para o crédito estruturado no setor de equipamentos de saúde

Com a demanda por diagnóstico por imagem mantendo trajetória de crescimento no Brasil e hospitais e clínicas de médio porte buscando alternativas ao investimento direto em equipamentos de alto custo, a tendência é que operações de crédito estruturado lastreadas em contratos de locação desse tipo de ativo ganhem espaço complementar dentro da indústria de FIDCs. Para administradores fiduciários especializados nesse tipo de operação, a capacidade de acompanhar tanto a saúde financeira dos locatários quanto o ritmo de obsolescência tecnológica dos equipamentos deve seguir como um diferencial técnico relevante para sustentar a confiança de investidores nesse segmento do crédito privado. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária e custódia qualificada, a ID CTVM soma a esse segmento a experiência já consolidada em fundos voltados a outras frentes de locação de ativos sob sua administração.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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